O saber verdadeiro é possível?

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            A possibilidade de um sujeito conhecer um objeto e os critérios de verdade que sustentam epistemologicamente tal conhecimento suscitam debates acalorados desde a antiguidade clássica a partir dos quais surgiram perguntas que perduram até a atualidade tais como: é possível adquirir um saber verdadeiro sobre determinado objeto?  Existe uma forma segura para fazê-lo? Caso se consiga é possível comunicá-lo a outras pessoas? Tradicionalmente se diz que desses debates surgiram duas grandes escolas de pensamento, o idealismo que tentava responder tais indagações recorrendo à especulação prioritariamente.  E o materialismo  que destacava os dados da experiência. (JAPIASSU, 2008)

 O positivismo foi fundado na segunda metade do século XIX por Augusto Comte com a pretensão de dar mais legitimidade e sistematicidade às ciências e consequentemente tentar responder aquelas perguntas milenares. Para tanto recorreu às experiências verificáveis, concretas, objetivas. O positivismo representa uma reação contra o apriorismo, o formalismo, o idealismo, exigindo maior respeito para a experiência. O positivista reconhece apenas os conhecimentos de ordem empírica ou lógica (TRIVINOS, 1992). Em nítida oposição ao idealismo alemão (cujos expoentes são Kant e Hegel), exaltava a importância dos fatos sobre a especulação pura de tais pensadores. Os precursores do positivismo estão no empirismo britânico com Bacon, Hobbes e Hume. Semelhantemente a esses pensadores Comte destacava a experiência imediata, pura, sensível. Seus princípios fundamentais são: busca da explicação dos fenômenos através das relações dos mesmos e a exaltação da observação dos fatos, especialização, não necessidade de aplicação prática do saber, observação, previsibilidade. Comte entendia o termo positivismo de cinco maneiras:

Comte assinala cinco acepções para a palavra positivo. A primeira delas designa o real em oposição a Quiménco. Isto significa que o espírito humano deve investigar sobre o que é possível conhecer, eliminando a busca das causas últimas ou primeiras das coisas. O positivo é um estado sobre o útil ao invés do ocioso. Nada que não seja destinado ao aperfeiçoamento individual ou coletivo deve ficar de lado. A filosofia positiva deve guiar o ser humano para a certeza distanciando-o da indecisão. Deve elevá-lo ao preciso eliminando o vago tão característico da filosofia tradicional. A quinta acepção do vocábulo positivo aparece como contrária a negativo.  Assim a filosofia tem por objetivo não destruir, mas organizar. (TRIVIÑOS, 1992, P.35).

Contudo, apesar de propor uma explicação da realidade dos fenômenos baseada na experiência o recorte desta realidade produzido pelo positivista desconsidera que o próprio sujeito que investiga o objeto está também inserido na realidade que pesquisa. Neste sentido o positivismo fica no mesmo âmbito imanentista do idealismo que credita  ao fenômeno valor absoluto e ao pensamento e a consciência do pesquisador papel prioritário desconsiderando as múltiplas relações  materiais que atuam sobre o pesquisador e o fenômeno.

Tradicionalmente o idealismo se caracteriza por buscar uma interpretação e unificação da realidade tendo como via prioritária a razão enquanto o positivismo, na linha do empirismo, limita-se a experiência imediata. No entanto, ao desconsiderar que esta experiência imediata é necessariamente atravessada por subjetividade na medida em que é circunscrita ao contexto individual do pesquisador o positivismo se torna idealismo subjetivista (TRIVIÑOS, 1992).

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